5 doenças que causam incômodo no peito
5 doenças que causam incômodo no peito
Uma dor persistente na região pode vir do coração... mas também sinaliza outros problemas sérios
Angina
A sensação dolorosa se dá no centro do peito e costuma irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço e a mandíbula – mais raramente, atinge o braço direito e as costas.
Refluxo gastroesofágico
O distúrbio provoca queimação e dor no meio do tórax, particularmente na região onde acaba o esôfago e começa o estômago.
Doenças respiratórias
Infecções nos pulmões, caso da pneumonia, entre outros males, podem desencadear um desconforto na região, em especial nos acessos de tosse.
Problemas musculares
Grandes esforços físicos propiciam processos inflamatórios na musculatura que envolve a caixa torácica, gerando dor e trazendo a dúvida sobre a localização exata.
Síndrome do pânico
Durante uma crise de ansiedade é comum o relato de opressão no peito. A sensação de morte iminente também é mencionada, o que leva à incerteza do diagnóstico.
A origem do termo angina já diz tudo. “Na expressão do latim angina pectoris, as duas palavras designam dor e sufoco. O termo angústia, aliás, tem o mesmo berço e era aplicado ao caminho apertado entre um desfiladeiro de montanhas”, ensina o etimologista Deonísio da Silva, professor da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.
Exceto pelo tom poético, a explicação cabe perfeitamente nos prontuários de pessoas com angina. Veja o que diz o cardiologista Luís Henrique Gowdak, do Instituto do Coração, o InCor, em São Paulo: “O desconforto é descrito como opressão, sensação de estrangulamento na região do tórax ou ainda de peso e ardor”.
Apesar de estarmos bem distantes das cordilheiras citadas pelo mestre Deonísio, perceba que o mal tem tudo a ver com passagens estreitas. No caso, é o sangue que trafega por vias afuniladas e tortuosas. Isso porque, por trás da dor no peito, há uma obstrução nas artérias que levam sangue para o coração – o mesmíssimo processo que pode culminar em um infarto. Embora menos comuns, outras situações também conspiram a favor dessa sensação aflitiva, como distúrbios que afetam o trabalho das válvulas cardíacas e, por atrapalhar seu abre e fecha, boicotam o acesso do sangue à região.
O resultado é sempre dolorido. “O incômodo desponta porque a oferta de oxigênio não supre a demanda cardiovascular”, explica o médico Celso Amodeo, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. É o que os especialistas chamam de isquemia. A angina dita estável geralmente dá as caras durante esforços físicos ou estresses intensos e desaparece com a calmaria. Já o tipo classificado instável irrompe até mesmo no repouso e é considerado mais perigoso. O temor é que a interrupção do fluxo sanguíneo resulte na morte de células do coração se não for contida a tempo.
Outra versão do problema preocupa em particular por não responder aos tratamentos atuais e ser altamente limitante – chega às vezes a impedir o sujeito de dar até uma caminhada leve. É a angina refratária. Ainda bem que ela é alvo de uma intervenção pioneira em solo brasileiro. Os resultados animadores desse trabalho coordenado por Gowdak no InCor levaram sua equipe a ser destaque do Prêmio SAÚDE 2015.
Estima-se que entre 380 mil e 1,1 milhão de brasileiros convivam com a angina refratária. São pessoas que despertam no meio da noite por causa de uma sensação insuportável no peito. Além de ser incapacitante, o mal repele as abordagens médicas tradicionais. “É que as múltiplas obstruções dificultam a angioplastia ou a cirurgia de ponte de safena”, conta Gowdak. Daí a criação, no InCor, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Angina Refratária (Nepar), onde foi desenvolvida uma estratégia de ponta para calar a encrenca – ela inclui uso de células-tronco, ondas de baixa potência e até raios laser.
Os pacientes também são convidados a participar de um programa de exercícios físicos supervisionado. “Com isso, observamos um aumento da tolerância ao esforço, com maior capacidade para a prática da atividade até surgir a dor”, revela a educadora física Camila Jordão.
Dar um chega pra lá no sedentarismo, aliás, é uma medida bem-vinda para afastar todos os tipos de angina. Como não custa lembrar, a inatividade abre brechas para o coração literalmente perder o fôlego. O conselho de adotar um estilo de vida saudável é batido, mas ainda insuperável para evitar as aflições do peito. “Também é importante controlar o estresse”, destaca o cardiologista Eduardo Pesaro, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Há evidências de que a tensão constante banhe o organismo de substâncias que maltratam o músculo cardíaco.
E o que dizer da dieta? “A alimentação equilibrada é fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento”, afirma a nutricionista Lis Proença, do InCor. Vale apostar sobretudo em frutas, hortaliças e grãos, grandes fornecedores de fibras e antioxidantes, aliados da circulação.
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